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Seminário sobre os desafios para implementar pedagogias críticas na educação STEM
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Seminário sobre os desafios para implementar pedagogias críticas na educação STEM

Nosso próximo evento é uma série de seminários de dois dias que visam apoiar os professores STEM a desenvolver e implementar pedagogias críticas nas salas de aula. O seminário é bilíngue e contará com apresentações de pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. O programa para os dois dias está abaixo, seguido de mais detalhes sobre cada sessão. Inscreva-se aqui para os seminários que ocorrem no Zoom.

Horas (UK)Quinta feira 10 de junhoSexta feira 11 de junho
13.00Welcome and Presentation (Arthur Galamba)Welcome and Presentation (Arthur Galamba)
13.15Isabel Martins (UFRJ)Ralph Levinson (UCL)
13.40Q&AQ&A
14.00Anna Canavarro Benite (UFG)Betzabe Torres-Olave (University of Bristol)
14.25Q&AQ&A
14.45Bruno Monteiro (UFRJ)Lindsay Hetherington (University of Exeter)
15.10Q&AQ&A
15.30Break
15.45Samuel Penteado Urban (UERN)Cristina Myers (Edtech hub)
16.10Q&AQ&A
16.30Haira Gandolfi (University of Cambridge)Spela Godec (UCL)
16.55Q&AQ&A
17.15PlenaryPlenary

 

Quinta feira 10 de junho

Isabel Martins

Nesta apresentação, concentro-me nas relações entre a Educação STEM e a Educação para a Cidadania. Começo argumentando que a cidadania pode ser concebida e promulgada de maneiras diferentes em diferentes países, dependendo de seu modelo de democracia, histórico sociocultural e estágio de desenvolvimento econômico. Eu também questiono uma linearidade reducionista entre alfabetização STEM, tomada de decisão informada e cidadania. Em segundo lugar, aponto exemplos em que a Educação para a Cidadania em alguma Educação STEM pode estar alicerçada em valores neoliberais, como o individualismo e em práticas como o consumismo, e uma discussão de como essas associações comprometem ideais de transformação em direção à justiça social. Finalmente, exploro elementos da dialética entre (i) elementos estruturais e contextos de política; e (ii) possibilidades de agência reflexiva crítica por professores e alunos em práticas situadas, com referência a experiências em ambientes educacionais contemporâneos no Brasil.

Anna Canavarro Benite

A presente proposta visa apresentar bem como debater a importância do campo das Ciências Naturais na construção de saberes emancipatórios, plurais e decoloniais. Esta área do conhecimento também apresenta um discurso bem como temas por meio dos quais o eurocentrismo, tão marcantemente presente em nossos sistemas de ensino, poderá ser desconstruído e trazendo-se para a cena personalidades negras, informações, saberes e conhecimentos elaborados em instituições formais de ensino bem como por comunidades tradicionais, a partir de experiências de pessoas negras do continente africano ou por filhx da diáspora e que que muitas vezes não são divulgados e assim ocultados gerando uma falsa sensação de que somente a produção oriunda do Continente Europeu é a única existente, pois acreditamos que a democratização na educação passa pela inserção de de sujeitos desconsiderados como sujeitos do conhecimento.

Leia mais sobre a pesquisa e trabalho da Anna aqui.

Bruno Monteiro

O Movimento da Decolonialidade na Educação em Ciências

A partir de nossos estudos e interlocuções, vimos refletindo sobre a colonialidade do saber, ou seja, das diversas implicações epistemológicas constitutivas do campo da educação em ciências. Nossas reflexões nos conduzem a percepção de estarmos impregnados em uma práxis que nos encarcera em modelos de epistemológicos eurocêntricos, por ora, despolitizados, desumanizados e disciplinares, a partir de uma possibilidade universal de construir conhecimento no campo da Educação em Ciências.

Nossos estudos e reflexões a partir das obras de Lélia Gonzalez, Paulo Freire, Luiz Rufino, Frantz Fanon, Judith Butler, Ubiratan D’Ambrosio, Angela Davis, Enrique Dussel, Conceição Evaristo, Boaventura de Sousa Santos, Walter Mignolo, Catherine Walsh, entre outros, no levam a pensar que praticamos uma Educação em Ciências imersos em valores e sistemas de crenças que nos foram impostos pela história colonial de forma explícita e tacitamente ao longo de nossas experiências educativas e formativas.

Na contramão desses modelos excludentes, surgem os estudos da decolonialidade e as ditas epistemologias do Sul. Pretendemos provocar reflexões no território da educação em ciências sobre as suas bases epistemológicas e sobre novas possibilidades de enfrentamento dos desafios contemporâneos e futuros, sobretudo, frente as questões culturais, éticas e políticas que naturalmente envolvem os processos de construção de conhecimentos assim como, as práticas de ensino e aprendizagem.

Samuel Penteado Urban

Educação Popular, Ciência e Tecnologia em Timor-Leste: contribuições da pedagogia de Paulo Freire

Após décadas de resistência contra Portugal e Indonésia, Timor-Leste conseguiu a restauração da independência (2002) com o apoio da educação popular, fundada nas ideias de Paulo Freire. Inspirado nesta educação popular, o principal movimento social de Timor-Leste - União dos Camponeses de Ermera (UNAER) - idealizou a universidade popular camponesa que tem como princípio a economia Fulidaidai-Slulu. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar sobre a relação existente entre Tecnologia, Ciência e Educação Popular no contexto dos camponeses de Timor-Leste, tendo como foco principal o Instituto de Economia Fulidaidai-Slulu (IEFS). Metodologicamente, este trabalho é resultado de uma pesquisa participativa, iniciada em meados de 2013, quando trabalhei na construção do currículo do IEFS, resultando na minha dissertação de mestrado. Após entrar no doutorado, pude retornar ao país asiático e lecionar a disciplina Educação Popular no mesmo instituto, dando continuidade à pesquisa, com foco em Tecnologia Social.

Haira Gandolfi

Paulo Freire and Decolonial perspectives: encounters in science education

Enquanto as obras de Paulo Freire, e Pedagogias Críticas em geral, vêm sendo exploradas no campo da Educação nas últimas cinco décadas, mais recentemente vimos o surgimento de reflexões sobre as conexões entre educação, escola, ensino, aprendizagem e o campo da Decolonialidade e pensamento decolonial (por exemplo, movimentos para 'decolonizar o currículo'). Mas quais podem ser as conexões entre perspectivas freireanas e decoloniais de educação? E, se abordados em conjunto, o que esses dois campos podem trazer mais especificamente para a área de educação científica (incluindo currículo) em escolas primárias e secundárias? Nesta apresentação, exploro essas questões através de uma abordagem decolonial em relação ao campo dos Estudos de Ciência e Tecnologia (ou Science and Technology Studies/STS) e de uma perspectiva freiriana sobre "conhecimento" e "consciência crítica". Tendo como ponto de partida uma reflexão sobre o que significa “decolonizar ciência” em uma perspectiva sócio-histórica, ilustrarei então suas conexões com propostas freirianas para educação através de um breve comentário sobre um trabalho desenvolvido em colaboração com um professor de ciências em uma escola pública secundária em Londres/Reino Unido.

Leia mais sobre a pesquisa e trabalho da Haira aqui.

Sexta feira 11 de junho

Ralph Levinson

Nossa pesquisa foi realizada no departamento de biociências da minha universidade. Alunos de 16-17 anos de idade foram convidados a discutir em grupos como eles poderiam abordar um problema de pesquisa biomédica contemporâneo estimulado por contribuições de um cientista pesquisador. Com base nos critérios epistêmicos e cognitivos de Chinn e Malhotra (2002) para a pesquisa científica, mostramos que discussões frutíferas de possíveis mecanismos e evidências potenciais resultam de um suporte autoritário, da vontade dos participantes de problematizar e da elaboração coletiva de conhecimento, estimulando novas questões de pesquisa. Reconfigurar o conhecimento escolar também foi um fator crucial. Temos evidências iniciais que precisam de um estudo mais aprofundado que:

  • Alunos de escolas em áreas desfavorecidas demonstraram mais criatividade ao discutir pesquisas do que alunos de origens mais privilegiadas. Essas características foram repetidas em um estudo em Chipre.
  • Os alunos do curso de humanidades juntamente com as disciplinas de ciências tendem a ser mais hábeis em problematizar e sugerir modelos.
  • Mulheres jovens de tradição islâmica eram adeptas da análise crítica. Entrevistas de acompanhamento apontaram para o papel da dialética nas madrassas como fonte de inspiração.
  • Não houve correlação entre a habilidade acadêmica relatada e a experiência em resolução de problemas.

Temos planos de continuar a testar nossas descobertas no Brasil e no Reino Unido.

Leia mais sobre a pesquisa e trabalho da Ralph aqui.

Betzabe Torres-Olave

Comprometida com a transformação dos espaços educacionais, as pedagogias críticas se relacionam com quem somos como professores de ciências, resistindo e transformando estruturas e práticas que reproduzem injustiças. Em nossa formação inicial, somos educados e formados como uma espécie de professor de ciências, geralmente alicerçada em valores neoliberais que enquadram os compromissos que assumimos, enraizados em definições estreitas de pedagogias das ciências que valorizam produtos em vez de processos, a aprendizagem como um conjunto de informações em vez de desenvolver uma consciência crítica de nosso relacionamento com o mundo natural.

Como professora de física, lutei para encontrar conexões para desenvolver e assumir uma postura pedagógica crítica no meu ensino de ciências. Só depois de colaborar com outros professores dentro e fora das ciências é que percebi quais etapas essa posição poderia acarretar. Um dos objetivos desta apresentação é refletir sobre esses problemas e buscar espaços para avançar no desfazer desses valores neoliberais incorporados como professores de ciências para começar a usar a lente da pedagogia crítica ao trabalhar com o currículo de ciências e considerar o papel dos jovens na transformação do mundo em direção à justiça social, epistêmica e ambiental. As experiências dos professores de ciências serão compartilhadas como exemplos de casos.

Leia mais sobre a pesquisa e trabalho da Betzabe aqui.

Lindsay Hetherington

Explorando as implicações de uma teoria material-dialógica para o ensino de ciências para a diversidade

Em minha pesquisa atual, estou interessada no que podemos aprender sobre a aprendizagem de ciências em uma variedade de contextos, se prestarmos atenção à materialidade e às práticas incorporadas da ciência e da aprendizagem de ciências. Os projetos atuais exploram isso no contexto da educação ambiental (Ocean Connections Project) e nas abordagens transdisciplinares e criativas da educação científica (projetos SciCulture e Creations). Nesta apresentação, utilizo o uso de 'difração' por Karen Barad (Barad, 2007) juntamente com o conceito de mudança dialógica de Bakhtin (1986) para pensar sobre o que acontece na aprendizagem por meio do diálogo quando incluímos 'vozes' materiais no diálogo. Desenvolvendo a noção de uma 'chave difrativa' como uma extensão da 'chave dialógica' de Bakhtin para mostrar explicitamente o papel da materialidade dentro do diálogo e ilustrar isso com alguns exemplos de projetos atuais, eu questiono então como a educação científica poderia parecer se diferentes materiais naturais e culturais são utilizados para a educação científica e como isso pode ser mobilizado para ensinar ciências de uma forma mais diversa e equitativa.

Cristina Myers

Comecei meu doutorado em 2016 com uma única pergunta; como seria uma educação online envolvente, capacitadora e inclusiva? Eu conheci a Pedagogia Crítica quando estava morando no Brasil - fui muito inspirada pelo poder desta abordagem educacional para permitir que os alunos tenham agência sobre sua aprendizagem, para usar o pensamento crítico como uma ferramenta para desencadear reflexão e ações transformadoras, e mais importante para criar mudanças sociais e políticas. Isso me levou a passar três anos explorando como aplicar a Pedagogia Crítica à aprendizagem online - e encontrei a resposta a essa pergunta em jogos virtuais e na democratização do design de tecnologia.

Por que jogos educativos? Os jogos podem ser interativos; Diversão; eles podem permitir que os jogadores explorem diferentes ambientes; colaborar; praticar continuamente; para desenvolver um senso de identidade com seus personagens; eles também podem permitir que os jogadores construam relacionamentos e vivenciem narrativas envolventes. No entanto, eles não podem alcançar esses resultados se não forem projetados por equipes inclusivas e diversificadas - isso trouxe um desafio adicional que me obrigou a definir como permitir que grupos novatos projetem jogos virtuais.

Meu PhD apresenta a primeira estrutura para democratizar o design de jogos educacionais. Durante esta apresentação, irei compartilhar como a Pedagogia Crítica pode ser aplicada ao aprendizado online por meio de jogos e como a Pedagogia Crítica pode ser usada para democratizar o design de tecnologia, bem como para criar mudanças sociais e políticas.

Spela Godec

A abordagem de Science Capital para ensino equitativo

Esta apresentação irá apresentar a ‘Science Capital como abordagem de Ensino’, desenvolvida em conjunto com mais de 60 professores do Reino Unido A abordagem se concentra em envolver diversos alunos com as ciências, especialmente aqueles com origens minoritárias, que tendem a ser sub-representados na educação científica e no emprego.

A abordagem baseia-se na boa prática de ensino e baseia-se no trabalho conceitual, incluindo a teoria construtivista social e o trabalho sociológico de Bourdieu, estendido ao ‘Science Capital’.

A abordagem é construída sobre a uma ênfase no que conta (por exemplo, quais comportamentos e habilidades tendem a ser valorizados na sala de aula?) E três pilares: i) personalização e localização (indo além de relacionar o ensino de ciências ao contexto geral do 'mundo real' para o contexto específico que sejam significativos para os alunos), ii) elicitar, valorizar e vincular (basear-se no conhecimento e experiência existentes dos alunos, valorizando-os intencionalmente e apoiando os alunos a fazerem ligações com a ciência do currículo) e iii) construir capital científico (por exemplo, ajudar os alunos a compreender a transferibilidade habilidades científicas, incentivando o envolvimento com a mídia científica e atividades científicas fora da escola).

A abordagem equitativa do ensino não diz respeito apenas ao que você faz, mas como você o faz. Esta apresentação dará uma visão geral da ferramenta ‘Equity Compass’, projetada para apoiar a reflexão do professor sobre o quão equitativo seu ensino é e como eles podem desenvolver ainda mais sua prática.

Leia mais sobre a pesquisa e trabalho da Spela aqui.

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